Pessoas vêm e vão em nossa vida, seja no lado pessoal, seja no profissional. Entretanto, algumas são capazes de realmente fazer a diferença, caso de Danny Oliveira junto a Nin92wo. Além de talento de sobra, Danny tem se mostrado uma pessoa incrível, com profundo conhecimento musical e que atualmente possui uma identidade sonora muito próxima com o que acreditamos e disseminamos através do label.

Em maio ele lançou um remix para o Binaryh, no EP Hécate, participou logo depois de uma edição na Shadow em Goiânia, e recentemente pode demonstrar todo seu potencial sonoro com um EP fantástico, explorando os mistérios do techno com sons obscuros e elementos de ficção científica. 

Aproveitamos a oportunidade para desvendar um pouco mais do processo criativo deste trabalho e também para compartilhar com você a história de Danny Oliveira na música eletrônica. O bate-papo, apesar de longo, ficou incrível e vale cada minuto da leitura. Acompanhe:

1 – Você já possui uma carreira bastante extensa. Em que ano exatamente você começou a discotecar e produzir? O que te levou a entrar nesse universo? 

Discotecar aconteceu no ano de 1998, comecei a produzir em 2000, profissionalmente em 2001, meus primeiros lançamentos em vinil foram em 2004, 2005. Eu andava muito perdido durante a minha adolescência tentando driblar as tentações de uma época muito complicada. 

O que me fez entrar para esse universo foi um CD que achei na calçada indo para a escola aproximadamente ás 6 horas da manhã de uma segunda-feira. Ele se chamava “Tranceport”, do Paul Oakenfold. Cheguei em casa, coloquei no meu som, fechei os olhos, chorei, fiquei feliz e viajei por várias camadas da emoção.

2 – E qual é o verdadeiro significado da música para você? Por quê você produz música? 

Liberdade e amor. Me sinto livre. Fisicamente e logo em seguida não sou mais um escravo da mente, cada vez mais potente, como um pássaro que voa pelas ondas sonoras dentro de um mundo que eu crio, cuido, e vira e mexe, quero compartilhar ele com outras pessoas para visitarem ele comigo, sentirem essa sensação. Pode até soar meio clichê, mas a música faz tudo isso e mais um pouco na nossa vida.

3 – Pegando uma discussão sua que vi nas redes sociais: suas produções possuem um som moderno? O que esta definição significa para você? 

O moderno hoje em dia tem muito a ver com o atual. Gosto muito de pensar de outra forma, apesar de entender como as pessoas preferem abordar esse assunto. Eu caracterizaria o som moderno sempre como o som que ainda não foi explorado. Sou muito ligado a ficção científica desde moleque. Acho que por isso sempre fui muito ansioso também. Tenho essa ligação com o futuro, de alguma forma, eu tento me colocar lá na frente um pouco e fazer um som distante do atual. 

Essa prática mexe muito com o tempo das coisas. O atual sempre funciona, mas ele tem data de validade como tudo. Às vezes o que eu e outros produtores oferecemos, assusta um pouco o atual. Não é aceito ali naquele momento/época. Tudo muito ligado com quanto você escuta música e onde você pode absorver mais, ensinando o seu ouvido a apreciar coisas novas.

4 – Quais as principais características que um produtor deve possuir para realmente se destacar?

Poxa, sou um mero aprendiz, mas a saúde mental vem em primeiro lugar. Com a cabeça no lugar dentro dessa vida de lobos e corujas, podemos traçar os caminhos certos com as demais qualidades. Mas, sem dúvida, treinar os ouvidos, dentro da produção e dentro da sua performance/apresentação, buscar ser diferente, porém acessível. Responsabilidade é a chave. Entender o corpo, entender sua rotina, ser o seu próprio patrão. Sem isso é impossível.

5 – Como você enxerga o atual momento do cenário eletrônico nacional?

Dentro do cenário underground, no setor de eventos, “tem lugares e tem lugares”. Por exemplo, tirando um evento anual eu vejo a cidade do Rio de Janeiro, largada. Falta cultura, sem dúvida, época muito triste por aqui. O Rio é composto por grandes artistas da música eletrônica brasileira. São Paulo tem seus núcleos, assim como o Sul do país. Nordeste também tem pequenos grupos. Mas em Goiânia por exemplo, pude tocar na Shadow a convite do Alex Justino. Tirando duas músicas do meu set inteiro, toquei o desconhecido, e a galera veio pra cima. Eu nunca tinha tocado essas músicas antes, estava testando muitas do meu disco, mas a recepção na pista foi excelente. 

Agora dentro de outros setores como o de produção musical e performance, estamos cada vez melhor. Produtores obtendo mais informação com tecnologia, conseguindo priorizar mais a qualidade e assim consequentemente agradar os grandes selos e figuras principais da indústria lá fora. Isso é essencial.

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6 – Como é o seu relacionamento com Alex Justino e o time da Nin92wo? Quais as características mais confluentes entre vocês?

É um prazer poder trabalhar com o Alex. Ele é um cara centrado, tem visão e abrange os assuntos de forma coletiva. Nós somos pirados em uma techneira forte e gostamos de ‘nerdar’ muito sobre produção musical como todos os amantes do estilo, somos de fato apaixonados pelo que fazemos. Então é muito bom poder fazer parte do time da Nin92wo, cuja a missão é crescer e espalhar esse som com cultura, conteúdo, como a vida é de verdade.

7 – Como foi o processo criativo de Sci-fi Mysteries? Ele é um trabalho bastante imersivo e hipnótico, quais foram suas inspirações/referências?

O EP é muito ligado aos sons de trilha de filme. Claro, sempre tem aquele lado da ficção científica batendo na minha porta, mas dessa vez eu quis dar prioridade a duas coisas que eu precisava visitar mais uma vez: batuque e ambiências. Venho querendo batucar umas gravações que faço pelas ruas afora, sempre levo o gravador comigo. É um processo, primeiro eu construo, depois desconstruo para depois construir de novo. Já nas ambientais, isso tem muito a ver com sound healing. Há alguns anos venho estudando o método. Foi logo depois que descobri a meditação. Dentro desse lugar da música tão específico existem produtores incríveis, muito geniais, capazes de fazer você flutuar, então foi só misturar as duas coisas que eu sabia que poderia sair algo mais hipnótico, viajante.

8 – Este EP já recebeu um feedback positivo até mesmo de Laurent Garnier. O que isto representa para você?

Sim, muito bom isso! Fortalece o trabalho e todo mundo ganha. Muito melhor ainda quando DJs tocam e sem dúvida mais ainda se for Laurent Garnier. Esse cara é um dos mais animados, apaixonados e um dos maiores representantes da indústria. Fico imensamente feliz por receber esse feedback e por todo mundo envolvido.

9 – O suporte de artistas importantes na sua carreira não é de hoje. Quais outros principais highlights de sua carreira que você destacaria?

Tenho algumas que guardo na memória. Na época do Trance misturado com Techno, uma inesquecível foi Tiësto, no Heineken Music Hall em 2005. Primeira vez que ele tocou uma track minha e eu estava lá, essa noite foi muito boa. Van Dyk durante uma época, Tong na BBC algumas vezes. Sasha, Digweed, Cattaneo, Warren com o DNYO, o projeto não seria nada sem esses caras. E agora com esse novo som, ansioso para gravar mais alguns destaques importantes e imensamente grato por tudo que a música até aqui nos proporciona.

Force on the dance floor.

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