Ainda existe um bom número de artistas da velha guarda eletrônica brasileira que, além de não estarem acomodados depois de tanto trabalho e colaboração para o crescimento da cena, seguem entregando um trabalho de forma regular e qualidade consistente. Um deles é Anderson Noise, artista que já soma mais de 30 anos de carreira e um catálogo extenso de lançamentos por diversas gravadoras e, claro, também por seu próprio selo, o Noise Music.

Inserido na indústria desde o final dos anos 80, o mineiro foi um dos propulsores do estilo por aqui, angariando o respeito de muitos nomes nacionais e internacionais. Noise já se apresentou em dezenas de países ao redor do mundo levando consigo sua extrema habilidade e sensibilidade na construção de sets guiados por um techno intenso. Na próxima Shadow, Anderson será nosso convidado de honra e você não vai querer perder, vai? Entre no clima na leitura abaixo e programe-se, a Shadow com Anderson Noise vai rolar dia 05 de julho!

1 – Anderson Noise! Tudo bem? É um prazer enorme falar com você. Vamos lá: o que te inspira a continuar produzindo música depois de tanto tempo?

Obrigado mais uma vez pelo espaço! O que motiva é sem dúvidas meu amor pela música, acho também que as collabs com artistas diferentes também exercem um papel muito importante e me dão força para continuar, assim aprendo ainda mais com cada um.

2 – Qual o principal desafio que você precisou superar para se tornar um artista de sucesso?

Não me recordo exatamente de um específico, já passei por tanta coisa que acredito que todos os meus desafios foram, na verdade, aprendizados. Cada experiência que eu vivenciei serviu para meu crescimento e é isso que levo para a vida.

3 – Já passou pela sua cabeça a ideia de “pendurar os fones” alguma vez?

Nunca pensei em parar. Já aconteceu muita coisa que me fez querer desistir, mas meu tesão por tocar e continuar fazendo música é maior do que tudo, não me vejo sem tocar ainda e esses planos não devem acontecer tão cedo.

4 – E a situação mais curiosa que você já vivenciou trabalhando com música?

A mais curiosa foi o aniversário de um ‘patrón’, fiquei sabendo disso apenas na hora. A festa foi em 2005, era em um país vizinho e foi meio assustador, apesar do cara dizer ser um fã meu. Acho que foi a situação mais inesperada que eu me lembre, não dá para dar muito mais detalhes do que isso [risos].

5 – Qual a principal vantagem e desvantagem de ser um DJ/produtor hoje em dia?

Como vantagem vejo que tudo está mais fácil hoje em dia, mais rápido e veloz. Já como desvantagem… acho que os DJs que ainda estão começando e não possuem grana pra investir em marketing, principalmente nas redes sociais, acabam encontrando bastante dificuldade para se projetar. Atualmente elas funcionam para quem tem grana e, para quem não tem, acaba sendo apenas mais um.

6 – Renovação. Essa é uma característica que sempre te acompanhou, não é mesmo? Fale um pouco mais sobre a importância de estar sempre evoluindo e se transformando.

Sem dúvida. Sempre me renovei dentro do que eu gosto, busquei fazer coisas novas dentro do que eu posso. Nunca fugi do que eu acredito e acho que quando você insiste no que acredita, acaba ganhando valor. Se a vontade é produzir outro estilo — como é o caso do Niemeyer, que mistura jazz, bossa nova e música eletrônica — use outro nome. Acho importantíssimo buscar renovações e transformações, isso sem dúvida é a característica da minha carreira há muito tempo. Tudo aconteceu naturalmente, foram coisas que eu enxergava, apareciam na minha frente e eu ia mudando e aprendendo. É isso que me faz querer aprender e continuar fazendo o barco andar.

7 – Ainda tem espaço na sua biblioteca musical? Você dedica um tempo especial apenas para a pesquisa?

Sempre. Um ótimo exemplo é meu trabalho com Lulu Santos. Fiz uma música com ele para o álbum “Pra Sempre”, Quae Sera Tamem (Savassi By Night). Quando ele me convidou pra tocar isso foi legal demais. Fui a fundo, fiz uma pesquisa intensa e dentro disso aprendi muito, ouvi muita coisa brasileira legal que eu não escutava, acho que esse desafio foi muito bom. A pesquisa musical é sempre bem-vinda, ela enriquece e dá ideias para produzir coisas novas.

8 – O que define uma festa/pista ideal para você?

Uma pista ideal não importa o tamanho, mas precisam estar as pessoas que curtem o meu som, indiferente se são 100 ou 5.000.

9 – Planos para o segundo semestre/próximo ano? Obrigado pelo bate-papo!

Ainda preciso ficar de bico calado, mas tem muita coisa nova pra sair, inclusive novas parceria, tô bem empolgado. O que eu já posso adiantar é que em breve sai meu EP comemorativo de 50 anos pela Prisma Techno, Deadline. Ele será lançado na semana do meu aniversário, mesma em que o homem pisou na lua pela primeira vez e que Chico Xavier fez sua profecia, todo o disco será em torno desses fatos. Muito obrigado mais uma vez!

Force on the dance floor.

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