Por Georgia Kirilov

Estamos vivendo na revolução tecnológica. Para alguns trata-se somente de um desdobramento da revolução industrial que aconteceu na virada do século 18 para o 19, mas para outros trata-se de uma verdadeira linha divisória entre o antes e o agora. Desde a criação da World Wide Web em 1989, acompanhada pela queda do muro de Berlim no mesmo ano (falamos sobre aqui), nosso poder de conexão nunca foi maior. Podemos falar com alguém do outro lado do mundo em 5 segundos e acessar informação do conforto da nossa casa. Dentro do universo da música, a revolução tecnológica proporcionou uma verdadeira revolução musical que não só mudou como produzimos música, mas também o que entendemos por música e como a arquivamos.

Não só podemos acessar música sendo criada em qualquer parte do mundo, podendo assim quebrar as barreiras geográficas, também podemos acessar música de diversas épocas, podendo assim quebrar as barreiras temporais. O leque de possibilidades e referências do qual o produtor atual pode beber é realmente infinito, proporcionando um número que cresce exponencialmente de combinações que podem ser feitas. Único torna-se um adjetivo redundante. Afinal, tudo é único. Nenhum set de experiências se repete.

Ou será que não é?

Com o boom da tecnologia tornou-se fácil também padronizar as ferramentas de criação sonora para que mais pessoas possam explorar o complexo universo da produção musical. Com a interface amigável dos softwares de produção musical mais pessoas puderam ser auto-didatas e, literalmente criar música sem nenhuma formação. Tudo é único… mas alguns samples já foram ouvidos inúmeras vezes. A sensação de eco ou disco riscado é o resultado de um sistema de produção e consumo que autoriza e promove cópias infinitas, fazendo com que visões sejam únicas, mas resultados não.

Em face à essa cacofonia de opções oferecidas pelo avanço da tecnologia, vemos, dentro da e-music, uma atenção cada vez maior ao analógico. Discos, instrumentos acústicos e live sets. É engraçado que quanto mais avançado ficam nossas ferramentas para criações de sons sintéticos, mais nos interessamos pelos orgânicos e nas maneiras de reinterpretá-los por essa nova lente que a tecnologia nos dá. É um movimento dialético constante, onde a música torna-se um organismo vivo, fruto de diversas forças coexistindo: globalização vs valorizar o local, analógico vs tecnologia, apropriação cultural vs intercâmbio cultural… e por aí vai. São linhas tênues e é no conflito e encontro entre todos esses elementos que a dance music continua se criando e recriando.

Force on the dance floor. 

Share this Post

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.