Um dos acontecimentos mais perceptíveis em músicas de produtores que estão começando é o quanto os timbres de sintetizador podem soar “fracos” – algo perfeitamente normal, dado que é um assunto um pouco abstrato que requer treinamento. Pra quem está iniciando, pode ser descrito como uma sensação de estar faltando algo na música, um “espaço vazio”. Até eu entender o quanto isso era importante, demorou.
A imagem acima foi feita para faixas de rock e pop, mas funciona para a música eletrônica, na maioria de seus elementos. O campo estéreo pode ser descrito como um “espaço” de 180º onde cada peça musical possa ser encaixada. Fones de ouvido que cobrem todo o ouvido são ótimos para criar essa imagem na cabeça. Uma boa mix é aquela onde todos instrumentos tenham seu espaço definido. Por mais que soe abstrato ler isso, teste por os fones de ouvido com uma música do seu gosto e sinta como cada elemento tem seu posicionamento. Aqui vai um bom exemplo:

O kick parece estar no meio, a caixa um pouco mais espalhada, enquanto os hats podem estar em um lado apenas ou ocupando bem os dois lados do fone de ouvido. O mesmo acontece com sintetizadores como lead, pad (principalmente), keys, etc.
Na música eletrônica 4×4, principalmente destinada aos clubes, o kick e baixo estão quase sempre em mono, enquanto os outros elementos estão em estéreo, pelo simples fato de que o kick e o baixo são “pilotos” da música e devem encaminhar a pista pra onde o produtor planejou. Uma ferramenta do ableton Live que facilita isso é o utility, abaixo. Quando o parâmetro abaixo do volume está em 100%, é porque todo o espaço estéreo da faixa está sendo reproduzido. Quando está em 0%, o elemento está em mono. Dá pra experimentar e colocar em 50%, por exemplo, pra corrigir um problema de fase (mais explicado abaixo) sem que o elemento tenha que ser colocado em mono.
Partindo para os elementos em estéreo imagine, como exemplo, um arpejo com uma progressão harmônica interessante e bonita do qual você tenha gostado muito. Sozinho, ele soa muito bem, mas com outros elementos parece que está um pouco apagado ou “magro”, principalmente se comparado com outras músicas. Isso pode acontecer pois o timbre não está ocupando espaço suficiente no campo estéreo. Algo que ficaria mais ou menos assim num stereo analyzer:
Tudo que está dentro do espectro azul está dentro de fase, ou seja: é o espaço estéreo que você pode preencher sem que frequências sejam perdidas em um sistema de som mono (presente em quase todos clubes do Brasil). Como ajudar nisso? Está aí a importância de utilizar efeitos inteligentemente:
Delay
Reverb
Saturation / Distortion
Panning
Spread
Primeiramente, é necessário ter cuidado com os parâmetros de feedback e dry/wet dos anteriores para que o elemento trabalhado não seja excessivamente processado e perca sua característica ou tenha frequências adicionadas desnecessariamente.
Por exemplo, colocar um reberb longo demais com dry/wet muito alto pode atrapalhar em vez de ajudar. É importante atentar-se para o valor ou porcentagem desses parâmetros: em excesso, podem fazer com que a peça saia de fase e “suma” num PA de clube. Outro detalhe vital é: não exagere. Efeitos estão aí para ajudar. Abrir um pouco seu elemento e trazer mais riqueza no campo estéreo é ótimo, mas também deixe espaço para que outros elementos possam aparecer na mix.
Dica: se você sentir que sua faixa está vazia, faltando “espírito”, talvez colocar um pad ajude. Volume baixo, release longo, ataque lento, com apenas um acorde dentro da escala na qual está sua música. Preenche espaço na mix e dê vida para música.
O plugin que mais utilizo para fins de análise estéreo é da Waves: PAZ Analyzer. É fácil de entender e vale a pena usar durante todo o processo de produção pois as vezes não percebemos se um elemento está seco demais ou está saindo de fase.
Espero ter ajudado! 🙂

Share this Post

2 Comments

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.