Uma das coisas mais bacanas no trabalho de uma gravadora é a possibilidade de conexão com artistas de diferentes partes do mundo. Somente quando isso acontece, seja no universo on ou off, é possível compreender o quão intenso e revolucionário esse processo pode ser. Felizmente, hoje a Nin92wo se encontra em um patamar que essas conexões se tornam cada vez mais plausíveis e não seria exagero dizer que essa é uma das nossas prioridades.

Lançado na última semana, o VA Arquetipo III traz uma dessas conexões. Seventh Sea, produtor natural de Bangalore, atualmente com residência em Dubai, estreou no catálogo da Nin92wo com a faixa La’Anah, um techno melódico e mental na casa dos 124 BPM. Vale ressaltar que anteriormente, S.S. já havia recebido Alex Justino para uma gig na Índia, reforçando ainda mais o poder dessa conexão que tanto defendemos.

Buscando conhecer mais sobre este talentoso artista, o convidamos para responder algumas perguntas para a série 9Questions. Confira o resultado do bate-papo abaixo:

1 – Olá! Como você avalia o poder de conexão da música?

Isso é algo que eu gosto de observar e questionar o tempo inteiro. Claro que existem explicações científicas para isso, mas o que eu vejo é muito mais intenso. Tomemos como exemplo: duas pessoas que se relacionam com seu interesse/gosto parecido na música, esse relacionamento ou nova amizade parece passar por todas as barreiras como dinheiro, luxúria, política, desejo por coisas. Essas duas pessoas apenas dançarão sem precisar de outras coisas. Esse é o tipo de conexão que é feita pela música.

2 – Como você descobriu os trabalhos da Nin92wo?

Tenho acompanhado a Nin92wo Records constantemente. A primeira vez que tropecei no selo foi quando Monobloq lançou Ravina, acho que foi em 2016, durante uma das minhas habituais pesquisas de música – foi aí que vi o conjunto de artistas no selo e conferi as outras faixas. Claro que eu conhecia Alex Justino por causa de seu lançamento na Steyoyoke Black, mas quando escutei seus lançamentos na Nin92wo, eu disse para mim mesmo “no momento em que minhas habilidades atingirem um estágio em que minhas faixas sejam consideradas qualidade na ponta dos dedos, é neste selo que eu quero lançar”.

3 – O que você considera mais marcante na construção de sua música?

Quando as pessoas escutam minhas demos ou faixas inéditas, elas geralmente fazem essa pergunta “a mixagem soa muito dinâmica e eu escuto muitos sintetizadores analógicos de hardware?”, é nesse momento que eu sorrio e digo “são todos plugins de softwares”. Isso me dá uma confirmação de que construí esses elementos bem o suficiente para fazê-los parecer como o verdadeiro hardware. É claro que os VSTs simulam suas contrapartes de hardware de uma forma muito exata, mas isso não significa que você pode simplesmente colocar um sintetizador VST em um canal e o trabalho está feito, o mesmo vale para os hardwares. Vou citar também as palavras sábias de Alex Justino: “Os synths não fazem a música, você faz”.

4 – Qual o principal desafio que você precisou superar para se tornar um produtor musical?

Tempo! Tento aprender e fazer música desde 2004. Naquela época, não haviam institutos ou escolas que fornecessem os cursos. Mesmo que houvessem essas escolas, eu não tinha condições necessárias para me matricular. Além disso, tem o fato de que a Índia não tinha internet de alta velocidade para assistir vídeos e aprender online durante esse tempo. Isso me fez mudar minha carreira para uma direção diferente. Depois de quatro mudanças, agora estou em um lugar onde posso ser chamado de produtor musical.

5 – Como você descreveria a atmosfera criada em LaAnah?

LaAnah” em hebraico significa “maldição”, mas eu não fiz a faixa com essa intenção, apenas gostei do som da palavra.

Toda a atmosfera da faixa parece como uma pequena guerra, cheia de emoções como tristeza combinada com humor reminiscente e ao mesmo tempo há um elemento de luta que descreve raiva e destruição. Em relação a essas coisas, eu queria que a faixa tivesse melodias para significar tristeza, partes de dub para significar humor e breaks para significar elementos de luta.

6 – Quais foram os momentos mais especiais/importantes que você já viveu na música?

Digamos que eu nasci na era dos sortudos – no final dos anos 80, a disco ainda prevalecia, o rock sempre no topo, o hip-hop e o rap estavam sendo concebidos e abastecidos comercialmente. Quando eu cresci apaixonado por música, era o final dos anos 90 e aquela era a maior onda de artistas de todos os gêneros e de todas as partes do mundo. Tenho muita sorte de ter experimentado essa diversidade na música e toda essa exposição criou essa esfera de energia que agora está sendo liberada através da minha música.

7 – Como você avalia o atual momento da cena techno global?

A indústria do techno está crescendo rapidamente, assim como a EDM fez há alguns anos. O techno agora está facilmente disponível para qualquer um que procure, o que cria espaço para os futuros produtores e DJs terem uma chance de destaque. Por outro lado, os locais em todo o mundo estão se tornando exclusivos para os sub-gêneros house e techno, o que funciona em regiões como Europa e América, onde há inúmeros locais para hospedar tais sub-gêneros e as pessoas podem escolher seu bom gosto. Mas, em regiões como o Oriente Médio e a Índia, onde há escassez de festas de techno, esses clubes estão, sem saber, estão suprimindo os talentos da região que tocam outros sub-gêneros e, ao mesmo tempo, rebaixando novos estilos e alimentando a  monotonia para o público. Isso vem da minha luta pessoal e observação em ambas as regiões.

8 – No aspecto humano, o que você tira de melhor do trabalho com a música até aqui?

Quanto mais você faz música, mais ela começa a se tornar parte de você. No começo, trata-se de imaginar instrumentos e melodias que são atraentes, mas depois isso não importa mais. Sua música se torna como a sua respiração, você precisa disso, você faz isso sem qualquer causa ou motivo. Você faz isso porque isso se tornou parte de você.

9 – O que uma pista precisa ter para se tornar especial?

Pessoas que compartilham da mesma mentalidade, pessoas com a mente aberta que são pacientes para deixar que o DJ escreva a história. E claro, um público que não faz pedidos [risos].

Force on the dance floor! 

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