Orgulho define: ter Be Morais em nosso time representa muito para o processo de evolução da Nin92wo nos últimos meses. Bernardo é baseado em Recife e estreou por aqui com o lançamento do EP Maybe em janeiro de 2017. De lá pra cá aproximamos as partes e nos encantamos mais e mais com o seu talento.

Depois de seu debut, Be Morais retornou ao catálogo remixando Monobloq no álbum de remixes de Arpejo Against the Time no EP Atlant. Esses trabalhos conquistaram um grande sucesso de crítica e representaram mais um importante passo nesse processo de aproximação, que se consolida agora com a presença do DJ e produtor pernambucano na Shadow do próximo dia 21. Em antecipação a esse encontro, falamos com ele:

1 – Como foi seu primeiro contato com a Nin92wo?

Alex e eu nos conhecemos quando ele remixou Beyond Feelings. Depois disso nós começamos a conversar e eu mostrei algumas faixas que estava desenvolvendo na época, então desenvolvemos o EP Maybe.

2 – Como você enxerga o atual momento da cena nacional?

Em um país tão grande quanto o Brasil, é difícil falar da cena nacional como um todo. De uma forma mais ampla, nós temos visto um interesse renovado em produção e em selos. Isso é muito bom. Acho que essa é a base para uma cena bem desenvolvida, que cria conteúdo e identidade.

3 – Como funciona seu processo criativo hoje?

De certa forma, ele funciona como um caos ordenado. O sound design é essencial para chegar nas ideias que aparecem, as quais tento transformar em música. Muitas vezes, os timbres são mais importantes que a melodia e a harmonia pra mim. Então eu passo muito tempo nisso, tentando achar as possibilidades de timbre que tenho e deixando esse processo acontecer naturalmente (um pouco caoticamente). Esses acidentes nos mostram ideias que não estavam ali no começo.

4 – Quais são as principais habilidades em comum entre um bom DJ e produtor?

Acho que os conhecimentos de cada lado sempre alimentam o outro. A noção de energia da música ajuda tanto a chegar em uma faixa que melhor representa a ideia ou o tema escolhido quanto a controlar a dinâmica de um set. O controle de frequências ajuda a harmonizar músicas em um set e a harmonizar elementos na produção. Eu encaro um DJ set como uma música construída por várias músicas… então você pode usar do conhecimento do estúdio pra fazer com que as coisas aconteçam mais naturalmente.

5 – Quais são seus heróis na música?

Essa é difícil! [risos] eu acho que não há como fugir do meu entorno, então eu vejo Chico Science e Nação Zumbi como influências diretas, por mais que seja pouco perceptível. Aí vem alguns artistas que, para mim, estão sempre à frente do tempo e me inspiram bastante como Nils Frahm, Moderat e Trentemoller.

6 – Quais foram os suportes mais especiais/importantes que você já recebeu?

Os suportes para o meu remix de Atlant, na Nin92wo, foram algo muito especiais pra mim, entre os quais estava Marco Farone e outros artistas mais pro lado do techno. Acho que suporte de nomes como Peter Dundov e Fairmont também foram muito bons pra mim em lançamentos passados.

7 – O que a cena de Recife tem de mais especial?

As pessoas, com certeza. As pessoas que eu conheci desde que comecei isso tudo acrescentaram muito na minha vida. São essas pessoas que estão trocando experiência e crescendo juntos como artistas. Hoje há um grupo de produtores aqui com forte identidade, fazendo músicas lindas. A identidade é o principal. Acredito que é o ambiente que nós vivemos que vai estimulando essa identidade. Feemarx, GRG, Tiago de Renor, Bayma e várias outras pessoas com quem convivo, trocando experiências, aprendendo um com o outro, conversando besteira… isso é especial.

8 – Fale um pouco sobre seus planos para 2018:

Acho que 2018 será um ano de menos lançamentos com maior qualidade. Não que eu ache que fiz lançamentos demais com baixa qualidade antes, mas esse ano pretendo ser mais milimétrico. Eu estou há um tempo entocado, produzindo e desenvolvendo algumas coisas novas. Nos planos concretos, lançarei na Nin92wo e na Not Another.

9 – O que uma pista precisa ter para se tornar especial?

Por mais clichê que possa parecer: conexão. Quando tudo fica sincronizado e a pista aceita aquela viagem, tudo se torna especial.

Force on the dance floor! 

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